Rebeldia – Capítulo 11

Leia as emoções do décimo primeiro capítulo de Rebeldia.

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CENA 1 – INT. / APARTAMENTO DE MIGUEL E ANDRÉ/QUARTO DE WILLIAN E LUCAS – DIA.

O dia amanhece ao som de “Caso Bipolar – Strike”. Willian e Lucas estão dormindo quando o despertador toca. Lucas levanta e chama Willian.

LUCAS: Acorda! Você não quer se atrasar logo no primeiro dia de aula né?

WILLIAN (sonolento): Para quem estava odiando essas mudanças até que está bem animado…

LUCAS (fica sem graça): Para de enrolar e anda! Vou tomar banho e quando eu voltar quero você levantado.

Lucas sai do quarto sem jeito e André está preparando o café.

ANDRÉ: O Miguel precisou sair cedo para resolver uns problemas no escritório, então sou eu quem vou levar vocês até o colégio.

LUCAS: Você acha que precisa? Qualquer coisa você me explica e eu e o Willian vamos andando.

ANDRÉ: Eu entendo que já não tenha mais idade de chegar acompanhado na escola, mas pode deixar que é só hoje. O bom de morar em cidade pequena é que tudo é perto. Amanhã vocês já vão sozinhos!

LUCAS: Tudo bem! Eu posso tomar um banho agora?

ANDRÉ: Você nunca mais peça algo desse tipo. A casa é sua!

Lucas entra no banheiro. Willian sai do quarto sonolento.

ANDRÉ: Dormiu bem?

WILLIAN: Tá brincando?! Acho que eu nunca dormi tão bem em toda a minha vida.

ANDRÉ: Sente para esperar o seu irmão sair do banho. Ansioso para o seu primeiro dia?

WILLIAN: Não muito.

ANDRÉ: Não? 

WILLIAN: Primeiro dia é sinônimo de marmanjões me fazendo de saco de pancadas. Sempre! Principalmente se… deixa pra lá!

André se senta de frente para Willian.

ANDRÉ: Principalmente?

WILLIAN: É que eu sempre me identifico mais com as garotas e os garotos adoram fazer piada sobre isso. 

ANDRÉ: A escola aonde matriculamos vocês é a melhor aqui da cidade, mas com certeza você não está protegido de pessoas assim. Mas o diretor e os professores estão preparados para lidarem com situações assim. Não tenha vergonha de ir reclamar caso aconteça algo desse tipo. Certo?

WILLIAN: Certo!

Lucas sai do banho. 

ANDRÉ: Agora vai tomar um banho para se arrumar e vir tomar um café.

Willian entra no banho. Corta para: 

CENA 2 – INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/CORREDOR – DIA.

Carolina, Vanessa e Charles estão conversando no corredor antes do sinal bater. 

VANESSA: Como foi na casa do seu pai?

CAROLINA: É nítido que a Melissa não suporta me ver lá, mas meu pai sempre me trata muito bem. Ele está feliz que eu vou estar presente no casamento.

VANESSA: E sobre aquilo… você desistiu da ideia?

CAROLINA: Não! Nunca! Jamais!

VANESSA: Você não acha que seu pai vai se afastar de você depois disso?

CHARLES: Eu concordo com a Vanessa, Carol. Pensa que dessa forma, o seu pai está do seu lado. Já se você fizer isso…

CAROLINA: Está do meu lado? A gente só se vê quando tem algo relacionado ao casamento. Como vocês acham que vai ser depois? Aquela mulher quer dar o golpe do baú, mas eu não vou deixar. Ele vai me agradecer depois!

Ethel chega na escola e vai até Carolina.

ETHEL (sorridente): Bom dia!

CAROLINA (irritada): Perdeu alguma coisa?

ETHEL: Não… só acordei muito feliz hoje! 

CAROLINA (irritada): Eu também estava feliz até você chegar. Vaza!

ETHEL (com cinismo): Eu só queria saber como você está lidando tendo que conviver com um novo padrasto.

CAROLINA: Enlouqueceu? Do que você está falando?

ETHEL: Pelo jeito você já foi mais esperta Carolina.

CAROLINA (muito irritada): Do que você está falando cobra?

ETHEL: Do vídeo que está na internet! Da sua mãe! Pensei que sabia… sorry!

Ethel sai e deixa Carolina furiosa.

VANESSA: De que vídeo ela está falando?

CAROLINA: Não sei!

Gabriel chega correndo na escola e vai até os amigos.

GABRIEL (surpreso): Você viu o vídeo Carolina?

CAROLINA (exaltada): Que merda de vídeo é esse que todo mundo fala e não me mostra? Do que você está falando?

Gabriel mostra o vídeo de Nádia e Leon se beijando. Carolina não disfarça a raiva e decepção que está sentindo. Ela sai e deixa os amigos preocupados.

CHARLES: Você não devia ter mostrado isso pra ela!

GABRIEL: Ela ia assistir mais cedo ou mais tarde.

VANESSA: Quer dizer que o Leon está pegando a dona Nádia? Tô passada…

CHARLES: Eu vou atrás dela antes que ela faça alguma besteira.

VANESSA: Acho melhor você deixar ela quieta.

CHARLES: Será?

GABRIEL: Se o Leon atravessar o caminho dela agora, teremos um problema.

Charles vai atrás de Carolina. Corta para:

CENA 3 – INT. / CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/SALA DE ESTAR – DIA.

Carolina entra com ódio em casa.

CAROLINA (grita): Mãe! Vem aqui! Mãe!

NÁDIA (desce as escadas preocupada): O que aconteceu? Porque está gritando?

Carolina começa a surtar e quebrar tudo o que tem pela frente.

CAROLINA: É assim que você gosta de me ver né? Você nunca consegue deixar essa casa em paz por mais de um mês. Você é a culpada por toda a desgraça da minha vida. Maldita hora que eu fui escolher ficar com você. Mas agora você vai se arrepender amargamente de ter tido uma filha!

NÁDIA (tentando conter a fúria de Carolina): O que aconteceu? Por que você está fazendo isso? Para, por favor! Fala comigo!

CAROLINA (cansada, olha para Nádia chorando): O que você está fazendo comigo? Se não fosse você, a nossa vida não teria se transformado nesse inferno.

NÁDIA: Do que você está falando?

CAROLINA: Você e o Leon me dão nojo! Ou você vai negar que tem um caso com o meu melhor amigo? Que vocês se pegam por essa casa enquanto eu estou lá em cima dormindo.

NÁDIA: Não! Isso nunca aconteceu! Eu nunca faria isso com você dentro de casa.

CAROLINA (rindo): Você é patética mãe! Talvez por isso meu pai lhe trocou pela Melissa. Talvez ela seja uma pessoa melhor que você.

Nádia dá um tapa na cara de Carolina.

CAROLINA (grita): Me bate mais! Anda! Tá esperando o que? Esse tapa foi pelo que? Por eu ter descoberto a tua verdade podre?

NÁDIA: Você acha que eu não sabia das festas que você fazia na casa da ilha? Ou do seu relacionamento com a Vanessa e o Gabriel? Vê se eu fico cuidando com quem você decide se deitar? A minha parte de educar e te levar na ginecologista eu fiz. Você já tem dezesseis anos, não é mais nenhuma menina inocente. Porque eu não posso aproveitar a minha vida do jeito que eu quero? Só por que tenho uma filha? Só por que eu fui abandonada, não mereço ser feliz? Vê se as pessoas acham errado um homem de quase quarenta anos casando com uma de vinte? Mas só porque eu sou uma mulher mais nova, não posso me relacionar com um garoto que vai fazer 18 anos daqui dois meses? É isso mesmo?

CAROLINA: Você acha que tem razão?

NÁDIA (grita): Eu mereço ser feliz! Eu mereço ser amada! Eu mereço ser desejada! Durante anos vivi um casamento em que eu era deixada sozinha. O Lourenço chegava depois das reuniões com cheiro de álcool e mulher e eu só servia para preparar um banho para ele. Quantas noites você com febre e eu precisei ir com o motorista para o hospital, pois ele sumia. Quantas vezes eu quis fazer o mesmo e sumir, mas pensava em você!

CAROLINA (chorando): Então a culpa é minha? Claro! A culpa nunca é sua, sempre de outra pessoa.

NÁDIA: Você já era adolescente quando entendeu que eu e seu pai já não tínhamos mais uma relação, mas quem sabe se ele repetir todas as merdas que fez comigo com a Melissa, você consiga ver de perto quem é o seu pai. Um homem que só se preocupa com os lucros da empresa.

CAROLINA: Lucros esses que fazem você ter uma vida de primeira dama.

NÁDIA: Eu tenho minhas economias, eu trabelhei naquela escola durante anos. Mas você pode ter certeza que eu usufruo dessa casa e da pensão que ele me dá, porque eu mereço. Mereço por todos os anos de humilhação. Então antes de me julgar, saiba que o mundo não gira mais ao seu redor. Não está feliz? Vá morar com ele! Eu não vou mais deixar de ser feliz por me preocupar no que a minha filha adolescente vai pensar!

CAROLINA (grita): Você me envergonha!

Carolina sai de casa chorando e Nádia se senta no sofá chorando compulsivamente. Heloísa sai da cozinha e vai consolar a patroa. Corta para:

CENA 4 – INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/CORREDOR – DIA.

Willian e Lucas estão tímidos no meio dos alunos. Ao lado deles, Edgar apresenta a escola. Pouco tempo depois, o sinal toca.

EDGAR: Vamos aproveitar que estamos perto da sua sala Lucas, e vamos até lá. Depois vamos até a sua Willian.

Eles vão até a sala de Lucas e os alunos terminam de se ajeitar. O professor de português está arrumando as coisas em sua mesa quando Edgar chega com Lucas.

EDGAR: Bom dia! Esse moço aqui é o novo colega de turma de vocês, espero que o recebam bem e o façam se sentir acolhido na nossa escola. – pausa – Tudo certo professor?

PROFESSOR: Claro! Tudo ótimo!

EDGAR: Tenham um bom dia de aula!

Edgar sai com Willian. Lucas tenta disfarçar a timidez, mas não tem muito sucesso.

PROFESSOR: Você pode sentar ali naquela carteira vazia e qualquer dúvida pode falar comigo ou com qualquer outro colega.

LUCAS: Obrigado!

Lucas vai até a carteira vazia que está ao lado de Gabriel, os dois se cumprimentam de uma forma tímida e Lucas se senta.

LUCAS: Não tinha ninguém aqui né?

GABRIEL: Não! O Leon senta aí, mas teve um problema e não conseguiu vir.

Lucas abre o seu material. Corta para:

CENA 5 – EXT. / RUA DA CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE – DIA.

Ao som de “Cruel – Nina Fernandes”, Carolina anda sem parar de chorar. Charles vê a garota de longe e corre para alcança-la.

CHARLES (grita): Carolina? Espera!

Carolina continua andando sem parar. Depois de alguns instantes, Charles a alcança.

CHARLES: Calma! Podemos conversar?

CAROLINA: Eu não quero conversar, quero ficar sozinha!

Charles pega Carolina com delicadeza pelo braço e a faz parar. Corta para:

CENA 6 – INT. / CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/SALA DE ESTAR – DIA.

Heloísa e Nádia limpam o que Carolina quebrou quando a campainha toca. Nádia vai até a porta e abre. Leon não fala nada e entra.

NÁDIA: O que você veio fazer aqui?

LEON (olhando os objetos quebrados): O que aconteceu aqui?

NÁDIA: O que você acha que aconteceu aqui?

LEON: Eu não sei como aquele vídeo foi parar na internet!

NÁDIA: Vídeo? Tem um vídeo na internet?

LEON: Alguém nos gravou e postou na rede.

NÁDIA: O que eu vou fazer agora? Eu sabia que isso não podia dar certo, se você não tivesse insistido tanto, se você não tivesse me cercado de tantas formas.

LEON: E eu faria tudo de novo. Eu faço 18 anos daqui alguns meses, vou responder por mim. Eu amo você! De verdade! 

NÁDIA: Você é uma criança! Chega! Chega de fingir que tudo isso é normal. Vá embora!

LEON: Você não pode fazer isso!

NÁDIA: Eu posso e vou! Você disse que me respeitaria quando eu decidisse que era a hora de colocar um ponto final.

LEON: Mas estava tudo tão bem. A gente se dá tão bem! Não faz isso com a gente!

NÁDIA: Não existe a gente! Nunca existiu! Vá embora!

Leon tenta se aproximar dela, mas ela se afasta.

NÁDIA: Vá embora agora!

Leon sai aos prantos da casa. Heloísa que tinha saído da sala na hora da conversa, volta.

HELOÍSA: Você gosta mesmo desse garoto dona Nádia?

NÁDIA: Eu não sei de nada… nada! Só queria sumir para bem longe!

Elas voltam a limpar a sala. Corta para:

CENA 7 – EXT. / PRAÇA DA CIDADE – DIA.

Carolina e Charles estão sentados em um banco da praça. 

CAROLINA: Você não deveria ter vindo atrás de mim. Eu avisei que queria ficar sozinha!

CHARLES: E desde quando eu escuto o que você diz? Fim do semestre e você ainda não descobriu que eu cheguei nessa cidade para fazer o oposto do que Carolina Albuquerque quer?

CAROLINA: Tolo! 

CHARLES: Mas voltando ao assunto, você sabe que a Ethel fez isso para provocar você né?

CAROLINA: A Ethel só me fez abrir os olhos para o que estava acontecendo debaixo do meu nariz.

CHARLES: Qual o problema da sua mãe ficar com o Leon? Ela nem é tão velha assim.

CAROLINA: Você não está querendo dar uma justificativa para isso né?

CHARLES: Não foi você quem disse que era outra pessoa antes de acontecer aquele acidente e aprendeu a ver a vida de uma outra forma quando passou por tudo aquilo? Você não pode julgar o que a sua mãe sente. Ninguém tem o direito de julgar o outro.

CAROLINA: Ele é meu melhor amigo. Nós já fomos para a cama sabia? E agora ele está pegando a minha mãe?

CHARLES (engole seco com a revelação): É… é meio estranho!

CAROLINA: Eu não consigo entender como a minha vida foi virar do avesso de uma hora para outra. Ano passado era tudo tão perfeito e agora está tudo um caos.

CHARLES: Você achava que estava tudo perfeito, mas para seu pai sair de casa, acho que não estava tão perfeito assim para ele né? E nem para a sua mãe! Pelo que você me disse, você só tinha olhos para você mesmo no ano passado. Já pensou que poderia estar sendo um inferno para os dois e só você estivesse feliz com aquela realidade? Você acharia justo eles continuarem vivendo uma mentira só para manter a sua visão de felicidade intacta?

Carolina chora com as palavras de Charles. A música “Daqui pra Frente – Renato Vianna” começa a tocar. Charles enxuga as lágrimas de Carolina e os dois se olham.

CAROLINA: Quando foi que eu virei essa pessoa patética? – pausa – Desculpa te fazer perder aula. 

CHARLES: Eu estarei aqui por você quando precisar. 

Os dois continuam se olhando sem falar nada até que os lábios de ambos se encontram. Corta para:

FIM DO CAPÍTULO 11

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