O Que Restou de Nós? – Capítulo 01

Conheça Paloma, Conrado, Heloísa e Humberto, os quatro protagonistas de O Que Restou de Nós? no capítulo de estreia da novela escrita.

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LEIA A SINOPSE DE O QUE RESTOU DE NÓS?

CENA 1 – EXT. / CARRO – NOITE.

VERÃO 2003

Conrado (23 anos) está dirigindo seu carro ao som de Do It – Lenine. Ao seu lado está sua namorada, Rebeca (22 anos). Os dois param em um posto para abastecer. Rebeca não esconde seu mau humor. Antes de descer do carro, Conrado tenta beija-la.

CONRADO (chateado): Você vai ficar com essa cara a noite toda? 

REBECA: Tenho meus motivos!

CONRADO: Quais motivos? 

REBECA: Você insiste em ter contato com essa gente. 

Os dois são interrompidos pelo frentista, e Conrado pede que o mesmo abasteça.

CONRADO: Você não tem o direito de falar dos meus amigos dessa forma.

REBECA: E você não tem o direito de me fazer conviver com pessoas assim.

CONRADO: Eu não vou ficar aqui discutindo com você sobre isso. Eu vou lá comprar cerveja e cigarro e espero que quando eu voltar você já esteja com um sorriso nesse rosto.

REBECA: Agora quer mandar no meu humor?

CONRADO: Você não entende que você se importa mais com a cor da pele de uma pessoa do que com o caráter? Isso fala mais de você do que deles. Não sei se existe um futuro pra gente.

REBECA (mudando o tom): Está bem, juro que vou tentar entender essa sua fixação por pessoas de cor. 

O frentista volta, pega o dinheiro e Conrado agradece.

CONRADO: Independente da cor, são pessoas! 

REBECA: Eu não acredito que fui me apaixonar por um tipo que sempre critiquei. Você já viu que nos dias de hoje tudo é preconceito?

CONRADO (calmamente): Sai do meu carro.

REBECA: O que?

CONRADO (calmamente): Estou pedindo para que saia do carro.

REBECA: Mas a gente está há quase duas horas de casa.

CONRADO (grita): Sai do carro agora!

Rebeca leva um susto e desce do carro. 

CONRADO: Espero que você tire esse tempo para pensar.

Conrado arranca com o carro deixando Rebeca para trás.

REBECA (grita): Volta aqui! Conrado!

O frentista do posto olha para ela e ri. 

REBECA (irritada): Do que você está rindo? 

FRENTISTA: Nada não!

REBECA: Você pode me emprestar seu celular?

FRENTISTA: Não tenho crédito e aqui é difícil pegar área. 

Rebeca sai do posto e vai andando pela avenida.

REBECA (falando para si mesma): É claro que ele vai voltar! Óbvio que ele vai voltar!

Ela continua andando. Corta para: 

CENA 2 – INT. / RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA FALCÃO/QUARTO – NOITE.

Heloísa (27 anos) está acertando os últimos detalhes de seu vestido de noiva com Nize (64 anos), a costureira.

NIZE: Como você está se sentindo?

HELOÍSA: Eu não sei explicar, é algo surreal.

NIZE: Quem diria que a minha amiga se tornaria uma Falcão um dia.

HELOÍSA: Humberto foi a coisa mais linda que aconteceu na minha vida. Eu nunca terei como retribuir tudo o que ele fez por mim.

NIZE: E como a Marta está com tudo isso?

HELOÍSA: Desde que eu conheci o Humberto ela tenta me tratar feito um lixo, mas ele não permite. Sempre me defende!

NIZE: Ela vai ter que te engolir mais cedo ou mais tarde. Isso é fato!

HELOÍSA: Pouco me importa o que ela pensa sobre a nossa relação, só sei que eu quero fazer dos dias daquele homem os mais felizes.

NIZE: E é isso que importa!

Nize continua mexendo no vestido. Corta para:

CENA 3 – INT. / RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA FALCÃO/ESCRITÓRIO – NOITE.

Marta (50 anos) está sentada no escritório com o seu filho, Humberto (31 anos).

MARTA (irritada): O que eu vou ter que fazer para você mudar de ideia? Quando você vai perceber a burrada que está fazendo?

HUMBERTO: Eu amo aquela mulher e é com ela que eu quero me casar. Você não vai conseguir fazer a minha cabeça!

MARTA: O seu pai morreu, ele não está aqui para enfiar alguma coisa que preste nessa sua cabeça oca. Eu estou velha, não vou conseguir estar à frente dos negócios por muito mais tempo. Você precisa focar sua cabeça nisso e se for pra casar, case com alguém que valha a pena e te ajude a somar. Não uma…

HUMBERTO: Não é pela Heloísa ser pobre que ela é ignorante.

MARTA (sem paciência): Ignorante está sendo você insistindo nisso. Você tem 30 anos na cara, nunca trabalhou e quer ter algum controle sobre sua vida? Desde quando? Você sempre precisou do nosso dinheiro para viver. Se dependesse da tua força de vontade, seria um nada! Se você quer perder tudo o que tem, vá em frente! Case com essa criatura e descubra do que eu sou capaz.

HUMBERTO (chega perto de Marta e a encara): Eu posso morar debaixo da ponte, mas você não vai me fazer mudar de ideia.

Humberto deixa Marta falando sozinha. Marta pega o telefone e liga para Frederico.

MARTA: Eu vou precisar que você faça aquele serviço. Sem falhas!

Marta desliga o telefone. Corta para:

CENA 4 – EXT. / CARRO – NOITE.

Conrado estaciona em um supermercado e desce do carro para comprar cerveja. Ele entra no mercado e vai até o setor que lhe interessa até que uma gritaria chama a sua atenção. Ele se aproxima para ver o que está acontecendo e se impressiona com a forma de que uma funcionária, Paloma (23 anos), está sendo tratada pelo gerente, Enzo (31 anos).

ENZO (gritando): Você viu o que você fez? Qual a sua dificuldade em limpar a droga desse mercado sem quebrar nada? Qual a sua dificuldade? Você tem algum retardo mental? Só pode ser isso!

Paloma percebe que o mercado não está mais vazio e fica mais envergonhada. Ao ver Conrado, Enzo abaixa o tom e tenta disfarçar.

ENZO: Essas funcionárias novas… vou te contar! Posso ajudar? 

CONRADO: Você pode ajudar pedindo desculpas para a sua funcionária. 

ENZO: O que? 

CONRADO: É isso mesmo que você ouviu. Você deve ter ocupado um cargo menor para chegar aonde está, então valorize quem está em um cargo abaixo de você.

ENZO: Você me desculpe, mas quem mandou você se meter na conversa? Dos meus funcionários, cuido eu.

CONRADO: Seus funcionários? Que eu saiba a dona da rede desse supermercado é Marta Falcão e ela é minha tia. Se você quiser eu posso ligar pra ela e contar detalhe por detalhe o que se passa aqui. 

PALOMA (tímida): Não se preocupe, eu vou limpar e não vou mais quebrar nada. Foi um acidente. E você, não precisa ligar pra ninguém. Eu preciso desse emprego!

CONRADO: E eu tenho certeza que ele também precisa.

ENZO (tentando conter a raiva): Me desculpe pela forma que tratei você. Já passou do seu horário, pode deixar que eu limpo.

Paloma sai para a sala de funcionários e Enzo começa a limpar.

CONRADO: Você tem sorte de eu ser uma pessoa boa e não levar isso para a minha tia. Ficarei de olho e que isso não se repita, pois se eu sober de mais alguma reclamação, você pode dizer adeus ao seu emprego.

Conrado pega as coisas que ia comprar e vai para o caixa. Paloma sai da sala de funcionários e vai até ele.

PALOMA: Obrigada pelo que você fez por mim. Não costumo ficar quieta, mas aqui é meu emprego e eu preciso dele.

Luísa (20 anos) que está trabalhando no caixa escuta a conversa.

LUÍSA: Ele sempre faz isso, quer comandar isso aqui como se fosse o dono.

CONRADO: Mas nem se ele fosse o dono pdoeria tratar algum funcionário assim. Nunca abaixem a cabeça em uma situação dessas. Ele sabe que está errado!

PALOMA (grata): Obrigada!

No momento em que ela vai sair, três pessoas encapuzadas invadem o supermercado armados e apontam a arma para Paloma, Luísa e Conrado, único cliente no local. 

ENCAPUZADO 1 (apontando a arma para Luísa): Passa a grana! Agora! Tudo o que tiver!

Luísa nervosa abre o caixa e começa a colocar tudo na bolsa que o bandido tem. Enquanto ela coloca o dinheiro, os outros dois pegam várias coisas em um carrinho. Enzo que estava limpando percebe a movimentação e vai para o escritório. No escritório, ele liga para a polícia. 

ENZO: Alô? Tem um…

No momento que vai falar, um dos bandidos aponta a arma para a cabeça dele. Corta para:

FIM DO CAPÍTULO 1

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